Bom de festa, ruim de serviço

Publicado por Roberto Freire | Categoria(s): Brasil, Educação | Em: 26-02-2010

Fanfarronice, mentira, tapeação — o governo Lula se notabiliza por muitas coisas. Outra é a festança de inauguração do que logo encontra o esquecimento ou a falta de efetividade. Foi assim com a Hemobrás, em Pernambuco, inaugurada com pompa e circunstância, ainda no primeiro mandato de seu governo e, para nosso infortúnio, até agora nada aconteceu — a não ser continuarmos gastando uma fortuna anualmente com hemoderivados, uma diretoria executiva e cargos de confiança da empresa que existe só no papel.

No caso particular da educação, fundamento básico de um processo sustentável de desenvolvimento econômico, somos informados pelo noticiário que, ao discursar na cerimônia que sancionou a lei de criação da Universidade Federal de IntegraçãoLatino-Americana, o ministro da Educação lembrou que o governo federal criou 13 novas instituições federais de ensino. Todos sabemos que não é verdade: houve desmembramentos e divisões das já existentes, como, aliás, há muito se faz.

Recentemente, a imprensa noticiou um caso muito interessante. A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais, inaugurada num evento que contou com a presença da ministra Dilma e discursos do sr. Lula da Silva apresentava a triste realidade de que, dos seus dez prédios previstos, apenas dois estavam prontos, mas sem água, refeitório, biblioteca e professores suficientes.

Ainda no campo educacional, se assim podemos dizer, na Universidade Federal do ABC, entre 2006 e 2009, em média, 42% dos estudantes abandonaram bacharelado em Ciência e Tecnologia, única forma de entrada nesta instituição até o ano passado. Com o agravante de que tais estudantes são “cotistas” que têm reservadas metade das vagas nos vestibulares.

Se fizermos um balanço de toda a estrutura da educação no país, a partir do ensino fundamental até o superior, e dos projetos voltados para a juventude que o governo tem alardeado como redentoras desse segmento — como o Programa Primeiro Emprego, por exemplo — , o que temos é a realidade de desamparo, violência e falta de perspectiva.

A juventude brasileira, de maneira geral, está cada vez mais despreparada educacional e profissionalmente, impossibilitada de garantir um futuro que a dignifique. Isso é demonstrado por estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado em janeiro passado, temos um espelho perturbador do desânimo que atinge a juventude: entre 1987 e 2007, o desemprego entre jovens passou de 7% para 20%.

Do infindável processo de soluções mágicas que o governo Lula nos brinda, diariamente, com grandes festas e solenidades de inauguração realizada com dinheiro público e destinadas, primordialmente, a dar visibilidade à sua candidata — à revelia dos ditames da lei —, o que resta para nossa juventude é a certeza que, nesse processo, os serviços que não lhe são oferecidos tornam mais difícil a sua inserção no mundo do trabalho.

Até quando as novas gerações e o próprio país ficarão dependentes da mistificação, planejada exclusivamente em função de um projeto de poder? Será que teremos, um dia, de rezar para que aconteça o milagre da queda das escamas que velam os olhos da população?

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