Freire: farsa e maquiagem revelam caráter eleitoreiro do PAC

Publicado por Roberto Freire | Categoria(s): Brasil, Infra-estrutura | Em: 17-06-2010

O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, disse que a “maquiagem” que o governo faz dos dados do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) só demonstra que não há compromisso com a verdade. “Esse governo é uma farsa”, afirmou, ao comentar a “esperteza” de incluir uma parcela de R$ 47 bilhões relativos a financiamentos para a compra de imóveis usados, com o objetivo de inflar os resultados do PAC. “Juntaram programas do governo anterior para ‘vender’ à população esse programa eleitoreiro, desrespeitoso à inteligência das pessoas”.

Os recursos significam 12% do programa de crescimento, cujo total chega a R$ 395,8 bilhões, e são tidos como executados. O próprio TCU (Tribunal de Contas da União) alertou que esses financiamentos não têm nenhum impacto sobre o crescimento da economia. O volume de recursos destinados à compra de imóveis usados supera aquele destinado à construção ou compra de imóveis novos. O TCU adverte que “não há impacto” nas contas que medem o crescimento da economia. Para Freire, essa é uma demonstração de farsa, de descompromisso com as informações que interessam ao país”.

 Eleitoreiro

A crítica é feita no relatório de aprovação de contas do governo, segundo reportagem de Marta Salomon em “O Estado de São Paulo“. Segundo o TCU, os financiamentos para a aquisição de imóveis usados significam “tão somente a mudança do proprietário do bem. O relatório completo está disponível na Internet.

O “Estadão” ouviu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quem cabe calcular as taxas oficiais de crescimento. Segundo o coordenador de contas nacionais, Roberto Olinto, “não há impacto nenhum no crescimento”. Para Freire, “fica claro o objetivo do governo de usar esses dados na campanha eleitoral, embora eles não reflitam o crescimento”.

Enganação

O TCU, no relatório sobre as contas do governo, critica, também o fato de o governo não esperar instituições financeiras liberarem o dinheiro para a compra dos imóveis para contabilizar as operações como empréstimos concedidos, informa o jornal. “Basta a assinatura dos contratos para o dinheiro entrar na contabilidade (do PAC). O mecanismo é o mesmo usado para avaliar a execução de projetos na área de infraestrutura do PAC”, esclarece a reportagem do Estadão. Para Freire, “isso é uma enganação, porque a operação pode não se concretizar”.

Talvez a maquiagem explique o desempenho das ações na área de habitação. Foram elas as que apresentaram maior crescimento no período que vai do início do PAC ao balanço do final do ano de 2009, último avaliado pelo TCU. Os financiamentos à habitação representam cerca de 30% do total de investimentos. “Essa constatação só demonstra uma denúncia que nós, da oposição, estamos fazendo há algum tempo: Esse governo é propaganda, marketing; não realidade”, avalia Freire.

 O “Estado de São Paulo” ressalta que o documento do TCU critica também o “grande volume de despesas do PAC com dinheiro do Orçamento da União ainda pendentes de pagamento, os chamados ‘restos a pagar’”. O PAC é responsável pela maior fatia dos investimentos ainda não pagos, despesa que deverá passar para o próximo governo. Para Roberto Freire,  “é uma irresponsabilidade sem tamanho. Eles (o governo e o PT) não se importam com os prejuízos que causam ao país, no presente e no futuro; pensam apenas neles e em se manter no governo, aparelhando o Estado, desrespeitando leis, instituições e pisando na democracia”.

 * texto: Valeria Oliveira (PPS)

Comentários

Temos (1) comentários para Freire: farsa e maquiagem revelam caráter eleitoreiro do PAC

  1. É necessário esta voz forte, consciente e interessada no bem do Brasil para contrapor o discurso propagandístico que estamos assistindo por parte do governo.

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