Economista esclarece mentira de Dilma

Publicado por Assessoria de Imprensa | Categoria(s): Brasil, Eleições, campanha | Em: 12-10-2010

O economista e ex-diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo) David Zylbersztajn rebateu, por meio de nota à imprensa, as declarações da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff,  feitas durante o primeiro debate do segundo turno entre a petista e o candidato José Serra (PSDB), realizado pela TV Bandeirantes no último domingo (10/10).

Para Roberto Freire, presidente nacional do PPS, a atitude de Dilma denota desrespeito a Serra e, principalmente, aos eleitores.  ”Esta é mais uma inverdade da candidata do PT. David não é assessor de Serra, nunca foi e nem prega privatização do pré-sal, apenas diz que deve ser mantido o modelo que o próprio PT adotou com total êxito”, afirma Freire.

Provocado pela petista durante o debate, José Serra reagiu às declarações sobre privatização, sobretudo em relação à Petrobras. O tucano disse ter uma “relação especial com a Petrobras”, e assegurou ter lutado pelo fortalecimento da estatal quando líder estudantil e também na época em que foi ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Confira abaixo, na íntegra, a nota de esclarecimento de David Zylbersztajn:

ESCLARECIMENTO PÚBLICO

“Durante o debate da Rede Bandeirantes, ocorrido no último domingo, dia 10, a candidata do Partido dos Trabalhadores, sra. Dilma Rousseff referiu-se a mim de forma inverídica e tendenciosa, induzindo, deliberadamente, o eleitor ao erro.

A mesma afirmação tem sido repetida nos programas eleitorais.

Em primeiro lugar refere-se a mim como assessor do candidato do PSDB, José Serra. Devo esclarecer que não sou, nem nunca fui assessor do candidato.

Mais grave, afirma que declarei ser a favor da privatização do pré-sal! A candidata (ou quem a assessora) delira, talvez motivada por assombrações que lhe assomam, vendo uma privatização a cada esquina.

As declarações recentes sobre o assunto (e que encontram-se devidamente registradas em áudio e vídeo) foram dadas em seminário realizado pela Revista EXAME, no Rio de Janeiro, há cerca de uma semana.

Na qualidade de expositor, defendi a manutenção do atual sistema de concessões também para as futuras licitações, sejam elas no pré-sal, ou fora dele.

As áreas do pré-sal, contém, como seria de se esperar, petróleo e gás, os mesmos existentes nas áreas fora do pré-sal.

O modelo de partilha proposto, na minha opinião, é danoso aos interesses do país, por motivos diversos, que não cabem explicar em detalhes neste momento.

O pior deles refere-se à criação de uma estatal para comprar e vender petróleo. Além do mais, a proposta é danosa à Petrobras, que, queira ou não, será obrigada a participar de todos os campos do pré-sal, seja isto de seu interesse, ou não.

Por fim, nunca é demais lembrar que o exitoso modelo de concessões foi implantado a partir da Lei do Petróleo, a partir de 1999. Durante o governo FHC foram realizados 4 leilões sob este regime (num dos quais foram licitadas as áreas do pré-sal). No governo do PT foram 6. Ou seja, se este é um modelo privatizante, foi aplicado de forma bem sucedida e permanente pelo governo do qual fazia parte a candidata Dilma, inclusive na qualidade de Ministra de Minas e Energia.

Por fim, este episódio faz-me lembrar de um trecho da introdução do ‘Crime do Padre Amaro’, de Eça de Queirós, onde para uma situação semelhante, o autor afirmava tratar-se de ‘má fé cínica ou obtusidade córnea’. Neste caso, suponho tratar-se de ambas.

Esta é a verdade.”

David Zylbersztajn

Comente