Archive for novembro, 2010

PPS divulga resolução política e afirma que oposição não foi desmontada

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, política | em: 29-11-2010

O Diretório Nacional do PPS divulgou resolução política neste sábado, em que analisa as eleições de 2010.  O documento afirma que, embora tenha sido derrotada nas eleições presidenciais, “a oposição não foi desmontada; muito menos extirpada”. O texto admite que o uso do marketing criou “desvios do projeto político”, o que muitas vezes levou os candidatos a deixar de lado “questões de fundo que estavam em jogo, em troca de uma promessa de melhor gestão para os destinos do país”.

O documento foi elaborado durante reunião do diretório em Brasília neste fim de semana e aborda, também, a importância da internet e das novas mídias na reestruturação partidária que o PPS pretende empreender.

Leia abaixo a íntegra da resolução:

As Eleições de 2010 e o PPS

Algo Vital

José Saramago em seu Blog “Cadernos”.

“Apenas se nos pede o voto para homologar uma quantidade de coisas, em cuja definição não somos levados em conta. Apenas nos pedem o voto, não nos pedem que participemos. E a cada quatro anos vamos votar muito contentes, acreditando que estamos a fazer algo importante, mas o importante ocorreu nesses quatro anos. Com isto não estou a condenar os políticos, pois a política é algo vital e temos que exercê-la todos.”

O processo eleitoral de 2010 foi um momento importante na consolidação da Democracia em nosso país, apesar de atitudes prepotentes e arrogantes do Presidente Lula, quando desrespeitou a Lei Eleitoral por diversas vezes, inclusive usando o cargo da Presidência para fazer campanha por sua candidata.

Num eleitorado de mais de cento e trinta milhões de votantes compareceram às urnas pouco mais de cem milhões de eleitores, em dois turnos, onde as forças de oposição obtiveram mais de quarenta e três milhões de votos, (43,95%) contra cerca de cinqüenta e cinco milhões, (56,05%) da Candidatura governamental.

O projeto político do Governo de manter o poder central a todo preço encontrou forte resistência em todo o país, sendo que as oposições fizeram governadores em dez unidades da Federação, entre essas, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Pará, estados de peso fundamental na economia do país e com sociedade civil fortemente estruturada.

O Governo usou toda a sua máquina e intensa propaganda baseada nas políticas sociais do Programa Bolsa Família para impedir a vitória das forças oposicionistas.  A derrota eleitoral não configurou uma derrota política das oposições. Apesar da intenção do Governo em despolitizar a Campanha através do uso de Marketing político e uso distorcido das pesquisas eleitorais para desmobilizar as forças oposicionistas, a nossa Política para um Brasil que pode mais teve seus sucessos. Assim o PPS continuará empenhado em defender a nossa Política de oposição ao Governo, convocando as demais forças oposicionistas a apresentarmos alternativas para um efetivo projeto de desenvolvimento sustentável para o Brasil, que propicie efetiva cidadania para todos os brasileiros e brasileiras.

A oposição não foi desmontada, Muito menos extirpada. O uso do Marketing político em nossa Campanha também nos criou alguns desvios do projeto político, onde muitas vezes deixamos de lado as questões de fundo que estavam em jogo, em troca de uma promessa de melhor gestão para os destinos do país.

Brasília, 27 de novembro de 2010.

Diretório Nacional do PPS

 

Fonte: Portal do PPS – Valéria de Oliveira

O sonho acabou!

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil | em: 26-11-2010

Roberto Freire no Brasil Econômico

O governo do Rio de Janeiro merece toda nossa solidariedade no combate aos bandos armados que, utilizando táticas terroristas, têm causado sérios transtornos a uma população cada vez mais assustada e desamparada. O mesmo governo que durante toda a campanha eleitoral usou as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como modelo de segurança pública, a ponto de a candidata eleita afirmar que usaria tal modelo em todo o país.

Uma ação claramente orquestrada de bandidos pôs em xeque esse modelo. Sua fragilidade não resistiu a uma evidência primária, os bandidos não evaporaram quando tiveram que deixar as áreas onde atuavam com a chegada das UPPs.

A violência que se alastra pelo Rio há vários anos não vai ser resolvida apenas com a instalação de tais unidades. É preciso muito mais.

Entram aí medidas concretas para dar uma alternativa de vida para os jovens envolvidos com o tráfico, o maior controle das fronteiras brasileiras para impedir a entrada de armas e drogas e um processo radical de “desinfecção” do sistema policial, completamente contaminado pela corrupção e envolvimento com o crime.

A violência endêmica de que tem sido vítima o Rio assumiu essa proporção por descontinuidade no combate sistemático do crime. Pelo simples fato de que não temos políticas de Estado para o combate ao crime organizado. Elas não são políticas públicas. São políticas de governo.

O que marca a gestão da segurança, assim, é a descontinuidade, com cada novo governador adotando uma determinada política de segurança. Em gestão pública, nada que não tenha continuidade tem eficácia. 

Um outro problema que agrava a situação é a corrupção entranhada no seio das instituições policiais.

A realidade tem nos mostrado que no Rio prende-se tanto traficantes quanto policiais. Todos os dias assistimos notícias de crime onde tem bandido ou policial envolvido, o que enfraquece a importância e a autoridade policial.

Quando se vê carro de polícia no morro não sabe se ele está em incursão, excursão ou se está indo receber, pagar ou prender, como muito bem disse nosso deputado federal pelo Rio, Stepan Nercessian. Há tanto tempo existe essa relação promíscua que o bandido perdeu medo de polícia.

Há pouco mais de quarenta dias do término de seu mandato, o país começa a acordar do sonho edulcorado da propaganda e marketing político que moveu todo o governo Lula, e se defronta com a crueza do mundo real.

O que estamos vendo, a cada novo dia, é a realidade de um governo catastrófico, despido da fantasia da propaganda, que estende sua sombra de incompetência sobre todas as áreas.

Seja na balbúrdia do Enem, no crescimento do processo inflacionário, no espantoso incremento da dívida pública, na incapacidade gerencial de levar adiante seus próprios projetos, como revelado pela insignificante taxa de realização do PAC e seus mirabolantes projetos sociais.

A realidade enfrentada pelos cariocas é o preço que estamos pagando por um governo que, em vez de governar, passou oito anos em palanques, enquanto as agruras de nosso povo eram embaladas pelo papel luminoso da fantasia. O sonho acabou.

http://www.brasileconomico.com.br/noticias/o-sonho-acabou_94786.html

* Roberto Freire é presidente nacional do PPS e deputado federal eleito por São Paulo.

Reunião discute reestruturação do partido, diz Freire

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Agenda, Brasil, política | em: 26-11-2010

“Uma reunião de reestruturação orgânica do partido, mas que nada tem a ver com nova formação partidária, porque não há nada de concreto sobre o assunto”. Assim o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, resumiu o objetivo da reunião do Diretório Nacional que ocorrerá nesta sexta-feira, à tarde, e no sábado pela manhã.

“O partido está se preparando para fazer uma oposição democrática e de esquerda ao governo, apresentando propostas do nosso programa”, disse Freire, que foi eleito deputado federal por São Paulo. Segundo ele, o PPS está querendo uma mudança interna, para poder trabalhar mais com seus organismos, principalmente a Fundação Astrojildo Pereira.

“Não tem nada; não será tema da reunião”, respondeu Freire sobre as notícias publicadas nos jornais desta quinta-feira especulando sobre discussões a respeito de fusão e criação de novo partido. “Isso não está na pauta, não é nada objetivo nem concreto e não vai ser discutido”, concluiu.

Hora e local da reunião

O PPS reúne seu Diretório Nacional nos dias 26 e 27 de novembro, em Brasília, para debater o resultado das eleições de 2010, a formação do novo governo e o papel do partido nesse processo. O encontro, no San Marco Hotel, começa às 14 horas de sexta-feira e vai até às 13 horas de sábado. Confira abaixo a íntegra da convocação.

Convocação para o encontro

PARTIDO POPULAR SOCIALISTA

Diretório Nacional

Brasília, 26 de outubro de 2010.

Ofício 019/10

Companheir@s,

Estamos convocando reunião do Diretório Nacional para os próximos dias 26 e 27 de novembro de 2010 (sexta-feira e sábado), em Brasília, no San Marco Hotel, a partir das 14 horas da sexta-feira e o encerramento às 13 horas do sábado, com a seguinte pauta:

1 – A Nova Esquerda, representada pelo PPS, e o novo governo.

2 – Resoluções.
 
Destacando a importância da sua presença diante dos novos cenários da política nacional, desde já agradecemos.
 
Cordialmente,

Roberto Freire

Presidente

* Por Valéria de Oliveira

Deu no site Pitacos Políticos

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil | em: 24-11-2010

Roberto Freire fala a Pitacos (Parte I)

nitroglicerina pura

Entrevista exclusiva dada a Pitacos, na quinta-feira passada (18/nov).

“Isso [Bolsa-Família] não era, nunca foi e não pode ser [uma estratégia], porque não leva país para lugar algum.  Pode melhorar as condições de vida de uma parcela significativa, como acontece na sociedade brasileira, muito momentaneamente, porque não é nenhuma perspectiva de futuro”.

“O governo Lula, apesar de toda a propaganda, reduziu ainda mais a participação do Brasil na economia internacional, no comércio internacional. Era de 1,7%. Caiu para cerca de 1%. O país só não sofreu grandes impactos devido à sua pouca inserção”.

“As lideranças oposicionistas [PSDB e PFL], pelo contrário, eram só elogios. A ponto de eu dizer também a um deles: “rapaz, você é líder da oposição. Quem tem que elogiar o governo é quem é líder do governo. Você, se concorda, muito bem, mas ao menos deve ficar calado”. Falei, era para Arthur Virgílio. “Deixe o elogio para eles”.

“De vez em quando tínhamos reuniões em algumas comissões [do Congresso], em que Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Antônio Carlos Magalhães elogiavam mais muito mais o Palocci, do que Mercadante, que, vez em quando, fazia críticas. Isso não é nenhum elogio a Mercadante. Estou apenas querendo mostrar certa contradição que desarmou a oposição, que virou uma oposição apenas aos malfeitos e às malfeitorias ponto de vista ético e moral”.

“Não é nenhum paradoxo, constatar a dificuldade da oposição no Parlamento e a saída que pode fortalecê-la”.

“Se você usar bom faro, pode até ter uma saída maior do que antes”.

“É preciso demonstrar uma questão. O processo eleitoral não foi de esmagamento da oposição, como alguns imaginavam”.

Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

Fonte: Pitacos Políticos – http://pitacos-politicos.zip.net/

O Leão de Dilma

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, Economia, política | em: 23-11-2010

Roberto Freire no Brasil Econômico

Depois da festa da vitória da candidata de Lula, a primeira notícia posta a circular foi a necessidade do retorno da CPMF, trazida à baila pelos governadores eleitos e pela base aliada. Uma espécie de “balão de ensaio” para se aferir os “humores” da sociedade. Como houve uma imediata e ampla rejeição da ressurreição desse monstrengo, silenciosamente o tema foi colocado na obscuridade das idéias renegadas e sem pai.

Coisa bem diferente é o que está prestes a ocorrer com o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), cujo benefício da correção chegou ao fim, sinalizando que o contribuinte deverá pagar mais imposto na fonte. Como sabemos, entre 2007 e 2010 a tabela foi corrigida em 4,5% ao ano, mas mesmo assim segundo o Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Sindifisco Nacional) ainda há uma defasagem de 64% frente a tabela de 1995.

O Brasil tem uma estrutura de impostos das mais altas entre os países emergentes, principal fonte das dificuldades da indústria nacional em competir no cenário internacional, sem falar que são os mais pobres os que mais pagam impostos, graças ao sistema de tributos indiretos cobrados pelos diversos níveis de governo.

Tal situação no futuro governo Dilma se agravará, dado o montante de gastos que herdará do governo Lula, e as promessas de uma reforma tributária, tantas vezes adiada, parece que serão soterradas de vez, pois dela ninguém na “equipe de transição” sequer a menciona.

O fato concreto é que os contribuintes – pessoa física – serão chamados a dar sua ajuda ao governo Dilma pagando um imposto maior. Como lembra Luiz Benedito, diretor de estudos técnicos do Sindifisco, quanto menor a renda do trabalhador, maior é o peso da não correção da tabela. O que torna necessário, por uma questão de justiça tributária, que o governo se comprometa em recompor as perdas dos trabalhadores com a inflação, corrigindo a tabela de impostos gradativamente acima dela, até que o quadro volte a ficar equilibrado.

O que é fundamental no Brasil, nesse momento, é discutir seriamente e aprovar uma reforma tributária, comprometida em mudar o atual sistema regressivo, que não penalize a produção, desonerando a folha de pagamento, e zerando o imposto sobre os itens da cesta básica. Na reforma não há problema com a criação de novo imposto, desde que se busque a justiça tributária e não apenas elevar receita.

A questão da reforma tributária é uma das mais prementes que aflige nossa sociedade, visto sua importância estratégica para o desenho de nossa inserção no competitivo mundo globalizado, com conseqüências positivas ou negativas para a própria capacidade de geração de empregos para os nossos jovens, agora e no futuro.

Mas pelo apetite que já mostra o faminto Leão de Dilma, parece que o que vai prevalecer mesmo é a lógica arrecadatória do insaciável sistema tributário brasileiro, para fazer frente ao festival de gastos e desperdício com que o governo Lula pavimentou o caminho de sua sucessora, pagando o preço de um sistema que privilegia os poucos  rentistas, em detrimento da maioria que sobrevive do trabalho.

* Roberto Freire é presidente nacional do PPS e deputado federal eleito por São Paulo.

Assista a entrevista de Roberto Freire no Roda Viva

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, política, vídeos | em: 23-11-2010

O presidente nacional do PPS e deputado federal eleito por São Paulo, Roberto Freire, foi o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira (22).

Na entrevista, Freire falou sobre os rumos da oposição, fez um balanço do governo Lula, deu sua opinião sobre o bolsa família e discutiu os rumos da esquerda no Brasil.

Com apresentação de Marília Gabriela, o programa também contou com a participação dos jornalistas Augusto Nunes, Paulo Moreira Leite, Ricardo Noblat e Silvio Navarro.

Roda Viva: Roberto Freire – Bloco 1

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Roda Viva: Roberto Freire – Bloco 2

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Roda Viva: Roberto Freire – Bloco 3

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Roda Viva: Roberto Freire – Bloco 4

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*Fonte: Portal do PPS.

Para Freire, dados do Orçamento mostram que saúde e educação pararam no governo Lula

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil | em: 23-11-2010

“O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se contentou em comparar o Brasil de hoje com o de ontem”, disse o presidente do PPS, deputado eleito Roberto Freire (SP), ao analisar os dados que demonstram aumento de gastos de apenas 10% de 2003 a 2010 nas áreas de saúde e educação. “Nós não somos uma sociedade de caranguejos, mas andamos muito pouco; esses dados demonstram que o Brasil não avançou”, disse.

O levantamento sobre o peso da educação e da saúde nos gastos do governo nos últimos oito anos foi feito pela Consultoria de Orçamento da Câmara e publicado pelo jornal O Globo nesta segunda-feira (leia aqui). Os números mostram que, apesar da expansão do PIB, os recursos para custeio da saúde cresceram apenas 0,05% no período, passando de 1,35% para 1,40% do PIB. Na educação, as despesas cresceram de 0,42% para 0,62% do Produto Interno Bruto.

Propaganda enganosa

Para Freire, os baixos percentuais para áreas tão importantes são “uma demonstração de que o governo Lula não foi bom para o país”. Segundo o deputado, “o governo propagandeia o que não faz e, lamentavelmente, a sociedade toma conhecimento disso a posteriori porque Lula disse que estávamos perto da perfeição (na saúde)”.

Entretanto, ressalvou Freire, “a vida demonstrou que fomos um desastre na promoção da saúde e da educação”. A incapacidade de investir recursos nas duas áreas, diz o deputado, mostra a falência do governo, que “além de investir pouco não soube gerir os recursos para essas áreas”.

* Texto: Valéria de Oliveira (Portal do PPS)

Deu no Pitacos Políticos – de Antônio Sérgio Martins (Catatau) e Tibério Canuto

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil | em: 23-11-2010

“Entrevista de Roberto Freire, um aperitivo

Pitacos fez uma longa entrevista com Roberto Freire, um político que se destaca dos demais por dizer abertamente o que pensa e de não fugir de nenhum ponto polêmico.

Vamos aguçar a curiosidade de vocês e avançar algumas questões palpitantes que ele abordou. Em Breve publicaremos a entrevista na íntegra – Antônio Sérgio está tendo um trabalho danado para colocá-la no papel, com fidelidade máxima, com tudo que ela tem de nitroglicerina.

Claro que ele falou qual o papel que Serra deve jogar e, principalmente, o que o futuro reserva a Aécio, caso ele se coloque à altura das exigências que a história lhe fará, brevemente. Vêm novidades, da parte de Freire, mas não vamos contar antes da hora. Esperem a entrevista na íntegra.

Oposição boazinha

Roberto Freire foi cáustico, quanto ao desempenho da oposição, nos últimos oito anos. “Líderes oposicionistas defenderam mais a política econômica de Palocci e Lula do que o próprio PT”. Acha ele que a oposição pagou um preço por isto, nas últimas eleições.

Sem papas na língua, o presidente do PPS disse que a oposição tem que fazer autocrítica do tipo de oposição que fez, restringindo-se à denúncia dos casos de corrupção no governo e violações institucionais. É como se ele tivesse uma avaliação de que o DEM e o PSDB tivessem feito uma oposição tipo “udenista”, passando inteiramente ao largo da crítica à política econômica de Lula.

Para Roberto, o governo Lula apenas surfou na onda internacional favorável. Não inovou nada, muito menos em termos de uma política de esquerda. Sentou o sarrafo na “política redistribuitivista”, sem poupar o Bolsa-Família, que considerou como um programa necessário, mas humilhante para o país. “Esta política, nem é de direita nem é de esquerda. Ela é emergencial e aplicada em todos os quadrantes políticos”. Governos de “direita” e de “esquerda” podem adotar medidas socais compensatórias, que em si não têm nada de transformadoras.

Freire não esconde o seu orgulho diante a atitude diferenciada tomada pelo PPS em 2003, quando rompeu com o governo Lula por divergir dos rumos econômicos adotados pelo governo petista.

Conservadorismo na Campanha

Como explicar a derrota de Serra? Para Roberto Freire, isto aconteceu, em parte porque a oposição repetiu o mesmo erro de antes de não atacar as questões econômicas e os erros cometidos pelo governo Lula neste terreno. Deu para sentir que ele não concordava muito com aquele negócio de a oposição faria mais, do mesmo, só que de forma melhorada. De novo ele criticou os oposicionistas por ficarem apenas na crítica moral, na denúncia da corrupção.
Ficamos com a impressão que aquela imagem de Lula levada ao programa de Serra deve ter provocado urticária em Roberto. Mas o centro de sua crítica à campanha é outro: “houve um peso desproporcional e perigoso das forças políticas ligadas a religiões que conseguiram dar marca conservadora a questões de costumes. Felizmente Serra não caiu na condenação da união civil dos gays”. Mas não pensem que ele poupa Lula. Responsabiliza o presidente de ter introduzido, durante o seu governo, a questão religiosa, através da “Concordata com o Vaticano” e depois, “para compensar teve que inventar um Estatuto das Religiões”, para contemplar principalmente os evangélicos. Mas um pouquinho, o Brasil de Lula seria igualzinho à Argentina, onde existe uma religião oficial! Os governos dos “Hermanos” pagam os salários dos sacerdotes da Igreja Católica.

A oposição tem saída

Roberto Freire é um político realista e reconhece que, no Congresso Nacional, a oposição enfrentará enormes dificuldades, em função da diminuição de sua bancada. Mas acha que os partidos oposicionistas podem atuar unitariamente no Congresso, sem perder a identidade própria. Na sua cabeça, está em elaboração a proposta de um Protocolo das Oposições, que pautaria sua atuação parlamentar, assegurando a autonomia de cada partido.
Ele não acha que estas dificuldades deixaram a oposição no mato sem cachorro. Avalia que na sociedade a correlação de forças é outra, não só pela votação obtida por Serra, mas também pela eleição de um número expressivo de governadores e em Estados de peso, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, só para citar alguns.

Chamou ainda a atenção para mudanças no cenário internacional, onde o quadro de hoje é mais complexo do que a realidade dos dois governos de Lula. Segundo ele, isto levará a sociedade a se mexer, pois não basta agora o Brasil apenas surfar na onda.

Na sua avaliação, a crise só não nos atingiu com maior intensidade porque o Brasil tem uma inserção mínima na economia mundial: cerca de 1,6 % do comércio internacional. Essa participação já foi um pouco maior, antes dos governos de Lula. Mas alerta para os riscos de o nosso país ser apenas um exportador de matérias-primas e de sofrer uma forte desindustrialização, uma vez que o governo Lula não teve uma política de defesa do parque industrial brasileiro.
Esta mudança do cenário possibilitará a oposição ter um comportamento mais combativo. “Inevitavelmente, a sociedade se mexerá”, diz ele.

A nova esquerda

Deixamos para o fim um tema que angustia muitos pitaqueiros.

Como é que Roberto Freire vê o futuro da esquerda democrática no Brasil, a possibilidade de fusão com o PSDB ou a criação de uma nova formação política neste campo?

Não vamos entregar o ouro. Deixamos para a entrevista, a ser publicada no começo da semana.

Adiantamos a questão da esquerda. Esta “não é uma tarefa das oposições, mas da própria esquerda”. De cara, descarta qualquer incorporação do seu partido a outra agremiação de esquerda de maior capilaridade. Fala claramente. Nada de “entrismo” no PSDB, porque, no seu entendimento, este partido não é o estuário natural da esquerda e porque o PPS se esfacelaria.

Sua proposta é outra: criar uma nova formação política, democrática, de esquerda e laica, na qual “o PSDB é o leito principal e o PPS é a ‘sementinha’”. Sonha com algo chamado de Movimento Democrático de Esquerda (claro, citou uma sigla qualquer en passant). A esta nova formação (não gosta do termo “partido”, prefere “movimento”, até por ser mais moderno) se agregariam ainda setores do PMDB, do PDT e de outras formações políticas, além de muita gente sem partido, mas alinhado neste campo.

Lula, Chávez, Evo Morales

Claro que Roberto falou sobre o lulismo e suas afinidades com o peronismo (ou com o subperonismo, como o qualificou Fernando Henrique), sobre a aliança dos descamisados com o grande capital, com os movimentos sociais desfigurados e cooptados – características presentes no fascismo.
Apenas para despertar o apetite de vocês: Lula não tem nada de anticapitalista, segundo Roberto Freire. “Nisto, ele não chegou aonde chegou Chávez e nem aonde chegou Evo Morales”. De esquerda, Lula e hoje o seu PT não têm nada. “Governam pela centro-direita e têm um discurso de centro-esquerda”. Para inglês ver.

Nitroglicerina

Esperem a entrevista na íntegra. Foram duas horas de uma discussão franca, transparente, ousada, sobre a atualidade da política.

Os entrevistadores, Tibério Canuto e Antônio Sérgio Martins, sentiram que tinham nitroglicerina pura no gravador.”

* Conheça o Pitacos Políticos:  http://pitacos-politicos.zip.net/

Silêncio ensurdecedor

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, política | em: 22-11-2010

Publicado no Brasil Econômico em 22/nov/2010

Em 2010 comemoramos os 25 anos do fim da ditadura militar. Sintomático e relevante é o silêncio abissal do PMDB e o total alheamento do PT, talvez o partido que mais se beneficiou com a redemocratização.

É compreensível a não-comemoração de tão importante fato na vida política do país por parte do PT, que se recusou a fazer parte da aliança democrática que elegeu Tancredo Neves em 1985, depois de derrotada a emenda das Diretas Já – e ai da democracia brasileira se dependesse do PT: a ditadura teria se reproduzido com a escolha de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral. Já o silêncio do PMDB e de outras forcas democráticas nos parece constrangedor.

O MDB, antecessor do PMDB, fundado pelo Ato Institucional 2 (juntamente com a Arena), em 1965, nucleou desde o início uma oposição derrotada remanescente dos diversos partidos que haviam sido extintos pelo regime militar.

Um momento marcante aconteceu em 1974, quando o MDB obteve uma vitória histórica na eleição para o Senado, derrotando a Arena em 17 dos então 21 estados da Federação. Com licença do leitor para o grifo, “consolidava-se ali a via democrática como a única forma de luta capaz de derrotar a ditadura”.

Cabe destacar, sobretudo para a nova geração, o papel que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) desempenhou na redemocratização do País. Foi o Partidão o setor da esquerda que, junto e sob a liderança dos democratas, construiu a mais ampla frente de forças políticas e sociais de resistência ao regime militar.

O PCB recusava o voluntarismo e o aventureirismo da opção pela luta armada: além de equivocadas, as teorias militaristas dos focos, as guerrilhas urbanas e rurais, os seqüestros e atentados, serviram para articular as forças da repressão e os ultrarradicais do regime militar. O PCB entendia que uma frente democrática era o instrumento efetivo para o isolamento e derrota da ditadura.

De todo modo, nós, que viemos daquelas forças políticas que forjaram o velho MDB, temos, não apenas que festejar, mas nos sentirmos responsáveis pela saída democrática que o país conheceu com a eleição de Tancredo Neves (sim, o vice era José Sarney!).

E o PT com isso? Aí é que está. Alguns anos antes do Colégio Eleitoral, precisamente após a anistia (a primeira) de setembro de 1979, o regime havia, por meio de uma reforma política da lavra do general Golbery do Couto e Silva, dividido a oposição e permitido a legalização e criação de partidos democráticos, dentre eles, no campo da esquerda, o PDT (legenda que resultava do golpe judiciário contra o PTB de Brizola) e o PT (articulação de movimentos da Igreja Católica com expressivas lideranças sindicais e egressos da luta armada).

Não por acaso, o regime não permitia a livre organização partidária, o PCB continuava perseguido. A liberdade partidária plena só se concretizaria após a eleição de Tancredo, quando o governo removeu entulhos autoritários, acabou com a censura, restaurou a liberdade de imprensa e convocou a Assembleia Nacional Constituinte.

Não é motivo bastante para comemorações?

Roberto Freire é presidente do PPS

Roberto Freire será o entrevistado do Roda Vida (TV Cultura) desta 2ª

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, Eleições, política, sao paulo | em: 19-11-2010

O presidente nacional do PPS e deputado federal eleito por São Paulo, Roberto Freire, será o entrevistado do programa Roda Viva, da TV Cultura, na próxima segunda-feira (22.11).

Com apresentação de Marília Gabriela, o programa será transmitido, a partir das 22 h, pela TV Cultura de São Paulo e também no site http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/ .

A bancada de entrevistadores será formada por Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, além dos entrevistadores convidados Ricardo Noblat e Silvio Navarro.