Educação

O “sucesso” do Enem

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, Educação | em: 12-11-2010

Publicado no Brasil Econômico em 12/nov/2010

Em sua passagem por Moçambique, onde, entre outras coisas, foi convidado a dar uma aula magna, o presidente Lula, ao ser indagado sobre o acontecido com o Enem no fim de semana, disse que “foi um sucesso maravilhoso, mobilizando mais de 3 milhões de jovens”. “Não será por conta de erros em alguns gabaritos que teremos problemas”.

A mesma opinião certamente não têm os mais de 3,5 milhões de jovens que participaram das provas, muito menos seus familiares.

Ou seja, repetiu-se o acontecido no ano passado, quando o Ministério da Educação teve que cancelar as provas por conta de um funcionário da gráfica contratada que “vazou” as mesmas, demonstrando a seriedade com que o governo Lula trata as questões da educação.

Frise-se que a Polícia Federal não concluiu até agora as investigações que permitissem averiguar quem foram os responsáveis por tamanha irresponsabilidade.

Ao que parece, a lição não foi aprendida, pois mais uma vez assistimos a gravíssimos problemas na realização da prova, com os mesmos personagens institucionais envolvidos, prejudicando mais de 3,5 milhões de jovens ao tornar indefinido o seu acesso ao ensino superior, obrigando a própria Justiça a intervir para que as provas sejam refeitas.

No apagar das luzes do governo Lula, essa nova trapalhada do MEC vem coroar oito anos de descaso com a educação, como pode ser facilmente aferido pela baixa qualidade do ensino público, como denunciado por nosso Índice do Desenvolvimento Humano, da ONU, onde ocupamos o vergonhoso 73º lugar.

Esse é o resultado lógico de uma política que, em vez de aprofundar as conquistas do Fundef e Fundeb, investindo pesadamente na qualidade do ensino fundamental e básico, optou pela saída demagógica do pró-Uni, que garante aos estudantes mais pobres acesso a um ensino superior precário, visando tão somente propaganda eleitoral, sem tocar no cerne da questão: ensino de qualidade.

Fosse um governante sério e comprometido com o futuro do país, há muito que o atual ministro já teria sido demitido. Mas como o que interessa ao presidente é o brilho fácil e enganoso do marketing, vemo-nos arrastados a uma situação vexatória, com milhares de jovens prejudicados pela incompetência de um governo incapaz de assegurar a lisura de uma prova nacional.

Mais uma vez o atual governo demonstra sua formidável incompetência gerencial, desnudando os meandros obscuros de licitações de empresas que não garantem a qualidade do serviço que vendem, e um contingente imenso de jovens – com o silencio obsequioso da Ubes e UNE – sem saber o que lhes reserva esse processo de seleção.

Eis, despido de veleidades propagandísticas, o “maravilhoso sucesso” do Enem a que o presidente tão orgulhosamente se refere em terras estrangeiras, enquanto seu ministro da educação (com “e” minúsculo) busca uma solução para salvar seu cargo e da patuscada em que meteu nossa juventude.

Roberto Freire é presidente do PPS

Incompetência do Ministério da Educação desmoraliza o Enem, diz Freire

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, Educação | em: 08-11-2010

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), atribuiu à “pura incompetência” do governo, e mais especificamente do Ministério da Educação, a desmoralização por que vem passando o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) por causa de erros nas provas aplicadas a milhões de alunos. O MEC, no atual governo, disse Freire “é uma trapalhada só”. Segundo ele, um ministério que admite a censura de Monteiro Lobato “é capaz de toda e qualquer besteira”.

O Enem foi realizado no último fim de semana. As provas amarelas continham questões em duplicidade e algumas com o mesmo número. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) descartou anular o Enem, mas a Justiça do Ceará já suspendeu temporariamente os efeitos do exame.

Não é a primeira vez que o Enem sofre um baque. Ano passado, as provas foram roubadas da gráfica Plural e “vazadas”. Outras tiveram de ser aplicadas a milhões de alunos. Freire acha que os episódios são “um sinal de como o nosso sistema educacional está mal”. O deputado chamou o ministro da Educação, Fernando Haddad, é “um dos enfants terribles do governo Lula”.

Para Freire, não existem interesses em desmoralizar o Enem com os erros nas provas. “É uma desmoralização fruto da incompetência mesmo, não há nenhuma articulação, não”. Ele defendeu a reformulação do Enem. “Hoje, ele tem a marca de malfeitorias, mas a idéia de termos uma avaliação nacional é correta e importante para o sistema educacional brasileiro”.

Ainda ontem, no twitter do MEC um post afirmava que os alunos que já “dançaram” no Enem tentavam tumultuar com mensagens nas redes sociais e que eles estavam sendo monitorados e acompanhados para posterior processo judicial. Freire disse que a autoridade pública é que deve ser processada e responsabilizada. Ele atribuiu “a intimidação” à falta de argumentos do ministério.

Fonte: portal do PPS

Oposição avançada

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Brasil, Cidadania, Economia, Educação, política | em: 05-11-2010

Publicado no Brasil Econômico em 05/nov/2010

O processo da campanha e seus resultados deram duas sinalizações claras do eleitorado brasileiro: há espaço para um partido de direita ideológica e outro espaço para um partido defensor de uma agenda modernizadora verde e social-democrata. A necessária união dos partidos de oposição durante a campanha escamoteou a profunda diferença que existia entre as agremiações e seus ideários, principalmente em questões relativas aos valores que devem servir de base para a formulação das políticas públicas.

É preciso deixar claro que essas ambiguidades partiram da campanha governista, o que foi demonstrado pelo vai e vem sobre a questão do aborto e a liberdade de imprensa, configurando um claro retrocesso das conquistas da luta das mulheres e da cidadania.

Nesse sentido, foi verificada a atitude de algumas lideranças de direita do espectro oposicionista, que durante toda a campanha tencionaram para a adoção de uma abordagem conservadora, muitas vezes baseada num discurso anticomunista, o que além de equivocado já está totalmente ultrapassado pela história.

Dessa experiência o que se sobressaiu foi o encorajamento do DEM e de outras lideranças para trilhar o caminho de uma oposição de corte conservador no aspecto moral e liberal em questões econômicas, para tentar ocupar o espaço como representante desse eleitorado mais à direita.

Na outra ponta do espectro político, a grande votação da candidata do PV, Marina Silva, concentrada principalmente nas classes médias urbanas das grandes cidades, aponta para uma demanda por parte do eleitorado de uma nova agenda política, que passa ao largo do bipartidarismo PT x PSDB.

Essa nova agenda passa pelas questões de um desenvolvimento econômico ambientalmente sustentado, obviamente, mas também, por uma renovada agenda social-democrata de reformas democráticas do Estado.

Para tornar a socialdemocracia um ator protagonista no próximo período, é necessário enfrentar os novos dilemas trazidos pelas mudanças no mundo do trabalho, da cultura e da política internacional: a globalização, o individualismo e as novas formas de ação política que migraram via rede para fora dos mecanismos e instituições da democracia representativa.

A resposta para essas mudanças deve estar assentada num conjunto de valores que a socialdemocracia precisa manter ou adotar: igualdade, proteção aos vulneráveis, liberdade com autonomia, não há direitos sem deveres, não há autoridade sem democracia e o pluralismo cosmopolita.

Para encarar essa nova realidade, o PPS deve fazer uma releitura do que significa ser socialdemocrata hoje e preparar uma agenda reformista, priorizando a reforma política, a tributária, a previdenciária e a trabalhista-sindical, reestruturando nossa capacidade produtiva com ênfase na ciência e na inovação tecnológica e investindo na educação de forma estratégica.

Por fim devemos buscar parceiros entre os partidos que comunguem dessa visão e especialmente nos movimentos sociais e na própria sociedade. É uma boa e grandiosa tarefa!

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Roberto Freire é presidente do PPS

Freire: Dilma não sabe o que quer; troca programas e corre de debates

Publicado porAssessoria de Imprensa | categoria(s): Educação, política | em: 06-07-2010

“É um momento difícil da candidata (Dilma Roussef), porque isso revela uma grande fragilidade dela. O que se pode esperar de uma pessoa que entrega um programa como o seu e em menos de 24 horas muda questões bastante polêmicas? Ela não sabia o que assinou ou não leu o que entregou?”. Assim reagiu o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, sobre a atitude da coordenação da campanha petista de trocar as propostas de governo entregues no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)

Para Roberto Freire, o fato é “tremendamente preocupante” porque deixa a dúvida: “como confiar em uma pessoa que, primeiro, não sabe explicar à sociedade por que quer ser presidente da República”. Ela se negou a responder essa questão enviada aos presidenciáveis pelo jornal “O Globo”. “Se ela está disputando o cargo, a sociedade quer saber quais são suas efetivas intenções, o que ela pretende..”

Programa

A troca de propostas no TSE, diz Freire, é um fato inédito. “Não foi uma correção ortográfica; é uma mudança de conteúdo significativa. O programa foi ela que assinou, deu entrada no tribunal; pior ainda, se ela reconhece que não eram aquelas as propostas, por que deu entrada?” Para Roberto Freire, “é incrível como alguém entrega um compromisso, propostas de governo e, em menos de 24 horas, o recusa, sob o argumento de que não era seu”.

Na avaliação de Freire, a troca de programas é tão grave quanto o fato de a candidata se negar a debater. “A gente não sabe o que ela pensa; é gravíssimo ter uma candidata a presidente na qual nós não podemos ter confiança no que ela pensa, porque num dia diz uma coisa, assina uma coisa, entrega uma coisa ao tribunal e logo depois desiste de parte significativa do que está lá!”.

Soberba

Freire criticou também a soberba da candidata e de sua coligação, porque ela afirmou que seu grupo era o único capaz de acabar com a pobreza. “Passaram oito anos no poder e não acabaram; diminuíram porque ela vinha diminuindo há muito tempo; se voltasse para traz seria um desastre, o cúmulo do absurdo”. Freire lembrou que na educação e na segurança pública, por exemplo, o país tem resultados calamitosos; na saúde, a própria Dilma admitiu a má qualidade do SUS (Sistema Único de Saúde) atualmente.

Humilhação na Guiné

Ao falar sobre sobre a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiné Equatorial, Freire lamentou que o país teve “a maior humilhação que um presidente do Brasil já sofreu”. O ex-sendor observou que Lula foi “censurado, calado, por um ditador de quinta categoria; e quem reagiu foram os jornalistas brasileiros, os quais quero, inclusive, saudar”.

Para Roberto Freire, o Itamaraty cometeu “o maior erro de toda sua história: submeter o presidente da República a essa humilhação”. O presidente da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbsogo está há 31 anos no poder e comanda o país com mãos de ferro. Entretanto, após assinar acordos comerciais, Lula divulgou um acordo no qual garante que a administração da Guiné é comprometida com “a democracia e o respeito aos direitos humanos”.

Ao comentar essa declaração, Freire afirmou: “Não é possível; só pode ser insensatez”. Mbsogo é acusado por organizações internacionais de perseguir opositores, fraudar eleições e violar os direitos humanos; o presidente é um dos mais ricos do mundo.

Texto de Valéria de Oliveira (PPS)

Bom de festa, ruim de serviço

Publicado porRoberto Freire | categoria(s): Brasil, Educação | em: 26-02-2010

Fanfarronice, mentira, tapeação — o governo Lula se notabiliza por muitas coisas. Outra é a festança de inauguração do que logo encontra o esquecimento ou a falta de efetividade. Foi assim com a Hemobrás, em Pernambuco, inaugurada com pompa e circunstância, ainda no primeiro mandato de seu governo e, para nosso infortúnio, até agora nada aconteceu — a não ser continuarmos gastando uma fortuna anualmente com hemoderivados, uma diretoria executiva e cargos de confiança da empresa que existe só no papel.

No caso particular da educação, fundamento básico de um processo sustentável de desenvolvimento econômico, somos informados pelo noticiário que, ao discursar na cerimônia que sancionou a lei de criação da Universidade Federal de IntegraçãoLatino-Americana, o ministro da Educação lembrou que o governo federal criou 13 novas instituições federais de ensino. Todos sabemos que não é verdade: houve desmembramentos e divisões das já existentes, como, aliás, há muito se faz.

Recentemente, a imprensa noticiou um caso muito interessante. A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em Minas Gerais, inaugurada num evento que contou com a presença da ministra Dilma e discursos do sr. Lula da Silva apresentava a triste realidade de que, dos seus dez prédios previstos, apenas dois estavam prontos, mas sem água, refeitório, biblioteca e professores suficientes.

Ainda no campo educacional, se assim podemos dizer, na Universidade Federal do ABC, entre 2006 e 2009, em média, 42% dos estudantes abandonaram bacharelado em Ciência e Tecnologia, única forma de entrada nesta instituição até o ano passado. Com o agravante de que tais estudantes são “cotistas” que têm reservadas metade das vagas nos vestibulares.

Se fizermos um balanço de toda a estrutura da educação no país, a partir do ensino fundamental até o superior, e dos projetos voltados para a juventude que o governo tem alardeado como redentoras desse segmento — como o Programa Primeiro Emprego, por exemplo — , o que temos é a realidade de desamparo, violência e falta de perspectiva.

A juventude brasileira, de maneira geral, está cada vez mais despreparada educacional e profissionalmente, impossibilitada de garantir um futuro que a dignifique. Isso é demonstrado por estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado em janeiro passado, temos um espelho perturbador do desânimo que atinge a juventude: entre 1987 e 2007, o desemprego entre jovens passou de 7% para 20%.

Do infindável processo de soluções mágicas que o governo Lula nos brinda, diariamente, com grandes festas e solenidades de inauguração realizada com dinheiro público e destinadas, primordialmente, a dar visibilidade à sua candidata — à revelia dos ditames da lei —, o que resta para nossa juventude é a certeza que, nesse processo, os serviços que não lhe são oferecidos tornam mais difícil a sua inserção no mundo do trabalho.

Até quando as novas gerações e o próprio país ficarão dependentes da mistificação, planejada exclusivamente em função de um projeto de poder? Será que teremos, um dia, de rezar para que aconteça o milagre da queda das escamas que velam os olhos da população?