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Início » Notícias » O censo e a falta de senso
Sex, 18 de Novembro de 2011 08:28
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O censo e a falta de senso Destaque

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As desigualdades sociais e a concentração de renda continuam a desafiar uma nação que se pretende no século XXI As desigualdades sociais e a concentração de renda continuam a desafiar uma nação que se pretende no século XXI Foto: Divulgação

Depois de quase nove anos de governo petista, nos quais a tônica, por cima dos escândalos e da própria realidade, era mostrada por meio de uma maciça campanha publicitária embalada pelo mantra do "nunca antes na história deste país", a verdade do país descortinada pela divulgação do censo do IBGE contraria o tom ufanista de que se revestiu o governo Lula e de que ainda se veste o governo Dilma.

As desigualdades sociais e a concentração de renda continuam a desafiar uma nação que se pretende no século XXI, mas que grande parte de seu povo vive em condições do século XIX.

A situação da saúde continua calamitosa, mesmo depois que o presidente Lula afirmou que o SUS "estava próximo da perfeição".

Vemos agora, pela ausência de saneamento em mais de 50% dos lares brasileiros, e pela completa ausência de uma efetiva política de Estado para superar tal condição, que estamos muito longe de alcançarmos esse trivial sinal de civilização.

É claro que estamos avançando, na melhoria da qualidade de vida de nossos cidadãos e cidadãs, a questão é que nessa velocidade continuaremos longe dos países emergentes. E, pior, sem modificar as estruturas que possibilitam a permanência de tal quadro de desigualdades quer regionais, étnicas, de gênero, etc.

Tome-se o exemplo da distribuição de renda. Em todas as regiões as diferenças de rendimentos reduziram-se, exceto no Nordeste, destino privilegiado da política assistencialista do governo, por meio do Programa Bolsa Família.

Enquanto uma parcela da intelectualidade ressaltava a importância do Bolsa Família para mitigar a miséria dos estratos mais pobres, as estruturas que condicionavam e alimentavam as desigualdades continuaram intocadas. Daí a regressão do Nordeste, como mostrado pelo Censo 2010.

É justamente a falta de uma política de Estado que enfrente as históricas estruturas de nosso atraso relativo que faz com que a concentração de renda seja uma das maiores do planeta.

Onde os 10% da população mais rica tenha uma renda média mensal quase 40 vezes maior que os 10% mais pobres. Enquanto os 10% mais pobres auferem 1,1% do total de rendimentos, os 10% mais ricos detêm 44,5%.

O mais grave é que o Censo de 2010 revela que metade da população recebia até R$ 375,00 por mês, quando o salário mínimo oficial nesse ano era de R$ 510,00.

Outra maneira de vermos tais disparidades é considerarmos os rendimentos da metade mais pobre de nossa população que retém 17,7% da renda total! Isso apesar do aumento da renda em todos os níveis, pesquisados.

Analisando-se as diferenças de renda regionais, podemos observar com clareza a persistência da concentração, com o Centro-Oeste com um rendimento médio per capita de R$ 1.422,00, o Sudeste com R$ 1.396,00, o Sul muito próximo com R$ 1.282,00, o Norte com R$ 957,00 e o Nordeste com R$ 806,00 mais distantes. Apesar de o Nordeste receber quase 50% do valor total do Bolsa Família.

Não é difícil perceber que o novo lema da propaganda do governo, "País rico é país sem miséria", além de uma platitude, quando visto à luz do novo Censo, pode ser percebido como um escárnio.

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Roberto Freire é presidente do PPS

 

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    3 comentários

    • Link o comentário vera lucia silveira leitão Sáb, 19 de Novembro de 2011 12:33 postado por vera lucia silveira leitão

      Eu me pergunto até hoje, nas minhas seis décadas de vida, se o povo brasileiro quer mesmo agarrar-se às oportunidades que lhe são oferecidas para sair da miséria. Favelados orgulham-se de morar onde moram, rendas subvencionadas pelo governo são usadas para cabeleireiro, manicure, tênis importado, etc, etc. Enquanto nos contentarmos com uma cervejinha, um pagode e um verãozão, vamos ficar na mesma por mais seis décadas. Não evoluimos nas nossas prioridades. Infelizmente.

    • Link o comentário MARIA ANGELA DOS SANTOS DE SOUSA Sex, 18 de Novembro de 2011 15:05 postado por MARIA ANGELA DOS SANTOS DE SOUSA

      Se os governantes fossem obrigados a manter seus filhos e netos nas escolas públicas, bem como se utilizarem do SUS no momento da doença, com certeza esses serviços seriam de primeiro mundo.
      Enquanto um trabalhador recebe menos que o salário mínimo, o presidente do Senado aprova concurso para vários cargos, completamente desnecessários dentro do próprio senado, uma vez que são serviços prestados por profissionais liberais em todo o país. O grau de escolaridade para a quase metade das vagas é o ensino médio, mas o salário (inicial)será compatível com os dos Ministros do Supremo.
      O pior é que não dá nem pra pensar em prestar esse concurso, porque vocês acham que alguém sem apadrinhamento vai entar?

    • Link o comentário Regina Caldas Sex, 18 de Novembro de 2011 14:22 postado por Regina Caldas

      Se o governo atrelasse o recebimento do Bolsa familia a recursos investidos em infra estrutura que absorvesse obrigatoriamente os bolsistas, a situação hoje seria bem diferente. O país teria crescido, e o número de bolsistas teria diminuido substancialmente. Como diz um sábio ditado popular: "não basta dar o peixe, é preciso ensinar a pescar".Sds

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